O PARTIDO DO SAUDOSO DR. JOÃO UCHOA

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

HOJE É O DIA DA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA

Com o título “O Dia da Constituição Brasileira”, eis artigo de Edson Santana, presidente do Sindicato dos Advogados de Fortaleza e Região Metropolitana (Sindafort). Ele destaca retrocessos e avanços da Carta Magna. Confira:

Hoje é o Dia da Constituição. Instrumento basilar para a democracia de um Estado, a atual Constituição Federal brasileira é um instrumento poderoso, ainda que precise estar em constante aperfeiçoamento e ser cada vez mais conhecida por todos. Isso porque uma nação realmente igualitária e democrática não se constrói apenas com base na retórica expressa em leis, mas também através de uma busca diária a fim de fazer valer cada ponto desse tão importante documento.
Antes da atual, foram outras seis Constituições (ou sete, já que alguns conferem tal status também à emenda de 1969, enviada pelo general Emílio Garrastazu Médici e aprovada por um então combalido Congresso Nacional). Nossa relação com a Constituição já não começou muito bem. Em 1824 D. Pedro I outorgava o primeiro conjunto de leis do país recém-independente. Centralizador, o imperador estabeleceu, além dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, um quarto poder, chamado Moderador, que era justamente a chancela para que o próprio D. Pedro I agisse livremente sobre os outros três.
Foi essa estrutura limitativa que vigorou durante o período monárquico. Apenas em 1891, após a Proclamação da República, veio a segunda Carta Magna. Já no começo do século passado, foram três Constituições em menos de 20 anos (1934, 1937 e 1946), todas relacionadas à Era Getúlio Vargas, o que ilustra a efervescência e o descompasso político do período.
Nesse ínterim, houve um curto momento democrático, logo suplantado pela crueldade do Estado Novo, que durou quase uma década, até que a derrocada da ditadura Vargas abrisse terreno a uma nova Constituição. Apesar de tumultuado, houve importantes avanços nessa época, como o voto feminino e os direitos trabalhistas.
A fase mais obscura dessa trajetória se inicia com o golpe militar de 1964, oficializado com a Carta de 1967 e a emenda de 1969, que estabeleceu elementos ditatoriais, como os famigerados Atos Institucionais. Felizmente, com a abertura política, vem a Constituição de 1988, de cunho democrático e participativo, daí seu epíteto de Carta Cidadã.  Os parlamentares constituintes, com o poder da liberdade outrora abafada, deixaram uma enorme contribuição para a posteridade ao formularem um documento que vai ao encontro dos anseios populares e assegura os direitos dos indivíduos, além de proporcionar maior controle sobre a própria constitucionalidade das leis. Apesar disso, existem vários pontos a serem melhorados, no árduo e ininterrupto caminho para um Estado mais eficiente. 
* Edson Santana – Presidente do Sindicato dos Advogados de Fortaleza e Região Metropolitana.

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